Fonte: Pernambuco.com
Eleições 2010 // Dilma e Serra contam com aliados e fortes negociadores no Parlamento
Ivan Iunesivaniunes.df@dabr.com.br
Com experiência de vários mandatos e passagens por ministérios, os deputados Antonio Palocci (PT-SP) e Jutahy Magalhães (PSDB-BA) são hoje os principais articuladores das campanhas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) no Parlamento. O tucano manteve uma carreira política mais estável nas últimas décadas, favorecendo sempre uma relação estreita com Serra. O petista experimentou momentos de glória, de absoluto poder no governo Lula, e desgraça política, quando se viu envolvido no episódio da quebra de sigilo do caseiro Francenildo Costa. O seu contato é mais forte com Lula do que propriamente com a candidata petista. Os dois escudeiros dos presidenciáveis são nomes certos num futuro governo, mas é óbvio que apenas um deles poderá chegar ao poder.
Médico e sanitarista, mas com pés e cabeça direcionados à economia nos últimos anos, Palocci estuda submergir politicamente pela segunda vez. O prazo riscado pelo ex-ministro da Fazenda para voltar à superfície marca janeirode 2011. Coordenador da campanha presidencial petista em 2002, e ex-homem forte do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Palocci escapa, aos poucos, do purgatório político. Principal articulador da campanha de Dilma Rousseff dentro do Congresso Nacional, o deputado federal pode abrir mão de disputar um novo mandato. A eleição para governador de São Paulo já foi descartada, por conselho de Lula. Principal candidato à sucessão do presidente, até março de 2006, Palocci arriscou as fichas de que dispunha para voltar à ribalta a partir de novembro, com a eleição da candidata petista. O endereço desejado, novamente, é a Esplanada dos Ministérios.
Acostumado aos sismos políticos, Palocci é considerado a principal eminência-parda da campanha de Dilma Rousseff. Ex-prefeito de Ribeirão Preto por duas vezes (1993-1996 e 2001-2002) e ex-deputado estadual, chegou à elite do partido quando herdou do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, assassinado em 2002, a coordenação do programa de governo da primeira campanha vitoriosa de Lula à Presidência. Alçado à condição de sucessor de Pedro Malan na Fazenda, galgou degrau a degrau a hierarquia do Planalto. Era o provável candidato petista à sucessão de Lula. Até que foi tragado pelas denúncias de que teria quebrado ilegalmente o sigilo bancário de Francenildo Costa.
Licitações - O trabalhador reforçara as acusações de um ex-colaborador de Palocci, Rogério Buratti, que acusava o então ministro de fraudes em licitações. O extrato bancário de Francenildo foi estampado por uma revista semanal em todo o país. A responsabilidade pela quebra de sigilo sempre foi negada pelo então ministro, mas o episódio custou-lhe o cargo na Esplanada, em março de 2006. Palocci submergiu pela primeira vez. Voltou à superfície em outubro, eleito para a Câmara com 152.246 votos.
No Congresso, Palocci adotou postura discreta mas, aos poucos, retomou parte do poder. Relatou projetos importantes para o governo ligados à economia. A lista inclui a criação do Fundo Social, destino de parte da receita da exploração de petróleo na camada do pré-sal. Absolvido pelo Supremo no fim do ano passado, Palocci almejou o governo de São Paulo. Aconselhado por Lula, recuou. Foi estimulado a sonhar com uma volta à Esplanada pela porta da frente, em um eventual governo de Dilma. Como tem eleição praticamente certa à Câmara, ainda estuda se candidatar.
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