
Fonte: Pernambuco.com
Chapa governista // Ex-prefeito do Recife considera opinião do governador crucial
Andrea Pinheiro
João Paulo ou Humberto Costa? Quem tem a preferência do governador Eduardo Campos (PSB) para ser lançado como pré-candidato do PT ao Senado? Essa é questão que o ex-prefeito do Recife considera crucial para o fim da disputa interna do partido e consequente escolha do nome petista para compor a chapa majoritária ao lado do socialista. Ontem, João Paulo reiterou as afirmações do presidente do PT do Recife, Oscar Barreto, de que Eduardo precisa dizer qual é a sua estratégia eleitoral e passar a ter uma participação mais decisiva na definição do PT.
"A opinião de Eduardo é um dos elementos importantes para a tomada dessa decisão, seja consensual ou de prévia", avaliou em entrevista. Questionado se o posicionamento do governador for favorável a Humberto implicaria em sua desistência de concorrer ao Senado, João Paulo afirmou que não. "Se Eduardo revelar sua preferência, esse seria um elemento muito importante no processo, mas existem outros", disse. O ex-prefeito citou as conversas com os demais partidos da base governista, as pesquisas de intenção de voto e outros indicadores, digamos, mais subjetivos, como carisma e empatia. "Se não chegar a um entendimento a partir desses elementos, temos a prévia. Não seria o melhor caminho, mas pode ser o único", observou.
A disputa interna entre João Paulo e Humberto há muito extrapolou os muros do PT. Em eleições internas petistas, quando fica evidente a busca de ambos pela hegemonia no partido, há interferência de lideranças de outras legendas e até mesmo do Palácio do Campo das Princesas para beneficiar Humberto. Além disso, não é segredo de ninguém que setores do PSB têm predileção pelo ex-secretário estadual das Cidades. Humberto foi um aliado de primeira hora no 2º turno da campanha Eduardo em 2006. Na época, ele anunciou apoio logo quando a contagem dos votos apontou sua derrota.
Também desagradou aos socialistas a proximidade administrativa entre João Paulo, quando prefeito, e o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), quandogovernador. Eduardo tem dito a interlocutores que não se envolverá nas questões internas do PT e que esperará a definição do partido para fechar a composição da majoritária. Mesmo os socialistas defensores de Humberto, que acreditam no seu crescimento nas pesquisas após a absolvição de envolvimento na "máfia dos vampiros", dizem que João Paulo seria o nome ideal, caso Jarbas confirme sua candidatura ao governo. A prévia está marcada para o dia 2 de maio, dois dias após a data do anúncio do peemedebista.
Ações e restrições
- A recuperação ex-prefeito João Paulo, após a cirurgia para tratar a sinusite, será lenta. Aos poucos, ele retoma as atividades rotineiras e as articulações políticas. A agenda de compromissos, por exemplo, só será definida nesta semana.
- Confirmada mesmo, só a reunião do ex-prefeito com os representantes das dez correntes integrantes do Campo de Esquerda Unificado (CEU), comandado por ele.
- Segundo João Paulo, as caminhadas só serão permitidas depois de quinta-feira. "Natação no mar só em dois meses e, na piscina, nem pensar", comentou. O petista costumava nadar diariamente.
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