quinta-feira, 22 de abril de 2010

Objeto eleitoral

Fonte: Pernambuco.com


Diario Político

Marisa Gibson // mgibson@dabr.com.br




Segundo maior colégio eleitoral do país, o Nordeste sempre foi o centro das atenções de candidatos a presidente da República, e continua sendo porque, na região, o voto é fácil de ser conquistado. Ostentando ainda os maiores bolsões de miséria do Brasil, e nesses bolsões se inclui tudo o que é de ruim, o Nordeste é um bom palco para promessas eleitorais, que vem embutidas nas propostas de governo e que esboçam o pensamento de cada candidato sobre a região. Até agora, ninguém sabe o que os candidatos a presidente da República, José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) pretendem para o Nordeste. Por enquanto, é só conversa fiada.



Serra, na segunda-feira passada, esquivou-se de falar sobre uma política para a Região, com a desculpa que não podia se desconcentrar de sua visita a Alagoas, como se o estado não fizesse parte do Nordeste. Dilma, ainda presa ao governo que participou, fala dos feitos do presidente Lula, mas ainda não esboçou o que pretende fazer pela Região, caso seja eleita. E, Marina, também segue na mesma linha, sem dizer nada de concreto a respeito do Nordeste. E o interessante é que os três candidatos não só elegeram o Nordeste como meca eleitoral, como já visitaram bastante a região. Dilma é a campeã das visitas, seguindo os rastros de Lula que tem entre os nordestinos seus maiores percentuais de popularidade capazes de assegurar a sua eleição.


Já as visitas de Serra no Nordeste, são justificadas como uma tentativa para anular um pouco a aceitação do governo Lula na Região, e com isso garantir sua vitória, considerando que o tucano lidera as pesquisas nas regiões Sul e Sudeste. E Marina pontua no Nordeste porque não pode ficar de fora, numa região onde os dois protagonistas da eleição presidencial, Serra e Dilma, marcam presença com frequência. Como se vê, além de ser visto como um celeiro de votos, o Nordeste vem sendo tratado pelos presidenciáveis apenas como um objeto eleitoral, literalmente.

No ar // É evidente que se a novela da candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB) a presidente da República continua no ar, é porque o governador Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, ainda não quis colocar um ponto final nesta história. E se ainda não fez é porque convém ao partido.

Reação // Eduardo sempre disse que, caso o projeto presidencial de Ciro não se concretizasse, iria encontrar uma saída honrosa para o deputado. Agora, se Ciro, depois do não, decidir mesmo atirar para todos os lados, o governador tem tropa para reagir à altura.

O clima é de guerra

O presidente Lula se diz surpreso com a exclusão de João Paulo da disputa pelo Senado e petistas engasgados com o processo de escolha, já estão se pintando para a guerra. De vermelho.

Amizade colorida // Muito citada nos bastidores, a relação"próxima" entre o senador Jarbas Vasconcelos e o ex-prefeito João Paulo é como pé de cobra: dizem que existe, mas ninguém nunca viu. Nesse ponto, PT e PSB pode ficar tranquilos, pois os dois não falam sobre política há anos. É verdade que existe uma admiração recíproca. Mas não passa disso. É amor platônico.

O "plano B" // Quer seja na oposição, quer seja entre os governistas, o nome do deputado federal Raul Jungmann (PPS) é o mais citado como a opção para disputar o Governo na hipótese de Jarbas preferir não ser candidato. O problema é que ninguém nunca consultou Jungmann sobre o assunto. Mas seria interessante ver um embate televisivo entre Jungmann e o governador Eduardo Campos (PSB).

Incerteza // Enquanto a Assembléia vive uma grande discussão sobre o projeto que autoriza o desmatamento de mais de 1 mil hectares em Suape, a deputada Ceça Ribeiro, presidente da comissão de meio-ambiente e defensora da natureza, pediu licença à casa para se submeter a tratamento dentário. Agora é de incerteza a posição da comissão sobre o projeto.

Fatiado // A votação da Medida Provisória que reajusta as aposentadorias acima de um salário mínimo deve ser votada na próxima terça-feira, e nem em ano de eleição o governo quer ceder. O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT/SP), está propondo fatiar o reajuste, como se as necessidades dos aposentados também pudessem ser fatiadas.

Corrupção // Na próxima segunda-feira, tem seminário sobre Transparência e o Combate à Corrupção, na Universidade Católica de Pernambuco o seminário Transparência e o Combate à Corrupção. Entre os convidados estão o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, e o deputado federal Paulo Rubem Santiago (PDT), e o presidente da OAB/PE, Henrique Mariano.





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