Fonte: Pernambuco.com
Repercussão // Defesa de mudanças na Chesf e críticas a adversários, feitas por Lula em entrevista ao Diario, provocaram reações de líderes partidários e ONG
Em resposta às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva referentes à Companhia Hidro Elétrica do São Francisco publicadas em entrevista exclusiva ao Diario, o ex-governador Mendonça Filho, presidente do DEM, disse ontem que o governo está incomodado com a pressão da oposição para evitar o suposto esvaziamento da empresa. Segundo ele, os aliados do presidente esqueceram de avisá-lo que o responsável pelo projeto de lei que permitiu a privatização da Celpe foi o ex-governador Miguel Arraes(PSB). "Ainda ontem (última terça-feira) eles estavam festejando o leilão da Usina de Belo Monte, que é uma privatização", provocou. "Quando tentaram privatizar a Chesf (no governo FHC) fui eu, Marco Maciel e Roberto Magalhães que lutamos para preservá-la", destacou o democrata.
Já o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) preferiu silenciar. Procurado, informou, por meio de sua assessoria, que não iria se pronunciar. No dia 8 deste mês, Jarbas ocupou a tribuna do Senado para criticar a reestruturação da empresa. Disse que a Chesf iria se transformar num "mero departamento" da Eletrobras. E, politizando a questão, afirmou que a mudança tinha o aval da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República.
"Recentemente o governo tomou uma decisão que provocou um prejuízo à Chesf de cerca de R$ 400 milhões. Foram prorrogados até 2015 contratos de energia elétrica que a empresa tem com sete grandes consumidores industriais do Nordeste. Agora imagine se essa medida tivesse sido adotada no governo Fernando Henrique! Imaginem a reação do PT", declarou. Ele ainda afirmou que mudar o status da Chesf representa uma agressão ao Nordeste, não apenas à empresa e ao seu corpo técnico. E atribuiu a decisão à existência de um "ranço bolivariano e centralizador" no governo Lula.
Na entrevista exclusiva publicada ontem no Diario, Lula reconheceu que houve falhas na elaboração do projeto de reformulação da Chesf e provocou os adversários ao dizer que a "direita" do Nordeste está se apoderando do debate queenvolve a perda de autonomia da empresa. Foi a primeira vez que o presidente falou sobre as mudanças impostas pelo governo federal no modelo de gestão do setor elétrico brasileiro. A medida provocou uma crise, envolvendo funcionários da Chesf, oposição e estudiosos do sistema. Os protestos ganharam as ruas.
A deputada estadual Terezinha Nunes (PSDB), reforçou o que disse Mendonça sobre a privatização da Celpe. Para ele, o presidente ataca a memória de Arraes. "Quem mandou o projeto de lei para a Assembleia foi Arraes. Jarbas apenas executou a lei (11.484/dezembro -1997). É impressionante como Lula gosta de repassar a culpa dele para os outros. A culpa do esvaziamento da Chesf é dele e de mais ninguém", afirmou. Vice-governador entre 1999 e 2006, Mendonça foi o principal responsável pela articulação que impediu a venda da Celpe no último ano do governo Arraes (1998). A privatização aconteceu no momento seguinte, quando o estado passou para o comando de Jarbas e Mendonça Filho.
Ontem, o diretor regional do Instituto Ilumina, José Antônio Feijó, disse ter estranhado o fato de Lula dizer que a queixa contra o processo partiu da oposição. "Quem primeiro levantou a questão fomos nós. Não somos oposição. Agora, somos de um segmento muito pequeno para merecer ser citado pelo presidente", observou em tom irônico. Ele disse, ainda, que quando Lula fala daqueles que participaram do processo de privatização da Celpe, esquece que o atual presidente da Eletrobras (José Antonio Muniz) estava entre os que coordenaram o projeto que previa a privatização da Eletrobras, durante o governo FHC.
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