segunda-feira, 19 de abril de 2010

Um acordo forçado e mal resolvido


Fonte: Blog do Inaldo Sampaio



Coluna da Folha de Pernambuco da segunda-feira, 19/04/10

Pela foto que os jornais publicam hoje, é possível concluir que foi traumática a escolha do candidato do PT ao Senado na chapa da Frente Popular. Foi um acordo forçado, mal resolvido, que não deixou bem na fotografia o ex-prefeito João Paulo, o ex-ministro Humberto Costa nem o atual prefeito do Recife, João da Costa. A cara de todos durante a coletiva de imprensa dada ontem pelo presidente nacional do partido, José de Eduardo Dutra, era de quem haviam saído do velório de um ente querido.

José Eduardo chegou sábado ao Recife com uma pesquisa de opinião embaixo do braço, feita pelo Instituto “Vox Populi”, apontando empate técnico entre João Paulo e Humberto Costa e um equilíbrio de forças no partido, caso as prévias fossem inevitáveis. João Paulo não engoliu os números da pesquisa porque em outras a que teve acesso está bem melhor no filme que o seu competidor. Todavia, para não entrar em conflito com a direção nacional, claramente pró Humberto, obrigou-se a recuar.

Sem querer pôr em dúvida a credibilidade do instituto, é improvável esse suposto empate técnico e muito menos provável ainda um equilíbrio de forças entre eles no interior da legenda. O controle do partido é de Humberto, porém o ex-prefeito do Recife tem muito mais densidade eleitoral metropolitana. Assim, se o PT queria Humberto como candidato deveria ter estimulado as prévias, já que ele venceria de qualquer jeito. Impôs a João Paulo uma pesquisa duvidosa e terá que arcar com as conseqüências.

Recado – Durante a entrevista de José Eduardo, João Paulo enviou diversos recados à cúpula nacional do seu partido. Disse que a eleição em Pernambuco será “duríssima”, dando a entender que Humberto Costa não é páreo para peitar Marco Maciel e Sérgio Guerra.

Casório – Sérgio Guerra não recebeu políticos em seu apartamento do Recife, neste final de semana, porque não teve como escapar de um compromisso social em MG: o casamento de uma filha do senador Eduardo Azeredo. Os encontros foram remarcados para o dia 24.

Trânsito - Sábado, durante a inauguração da nova sede do PR no município de Paulista, Inocêncio Oliveira declarou que o seu partido não é de esquerda nem de direita, e sim de centro. E, parodiando Paulo Maluf, ironizou: “Aliás, eu nem sei se esquerda e direita ainda existem, salvo como sinalização de trânsito”. A sede foi apontada por ele como a maior do Brasil.

Desafio – Izaías Régis (PTB) está em campanha à reeleição com um desafio pela frente: ser majoritário de novo, em Garanhuns, com apoio do prefeito Luiz Carlos Oliveira (PDT), cuja administração não estaria muito bem, a fim de credenciar-se como candidato à Câmara Federal em 2014. Se perder para Silvino Duarte (PSDB), dificilmente irá trabalhar em Brasília.

Pesquisa - A mais nova pesquisa do Datafolha, que apontou Serra com 38% de intenções de voto, ante 28% de Dilma Rousseff, 10% de Marina e 9% de Ciro Gomes, detectou também que 61% dos entrevistados ainda não sabem que ela é a candidata do presidente Lula.

O pivô – Versões que circulam na SDS apontam o coronel PM Paulo Dantas como o “pivô” do desentendimento entre o comandante José Lopes de Souza e o secretário Servilho Paiva. Com uma particularidade: Dantas, diretor de operações, foi promovido por Servilho.

Gestão - Terminou anteontem a pós graduação em gestão de cidades oferecida pela UPE para gestores públicos de diversos estados. Entre outros, fizeram parte desta última turma o prefeito de São Bento do Una, Aldo Mariano (PMDB), o ex-prefeito de Sanharó e secretário de finanças de Arcoverde, Giovane Freitas (PTB) e Louise Caroline (PT), secretária municipal da mulher (Caruaru).

Doença - Encontra-se internado no Recife (Hospital Boa Viagem) o maestro Ulisses Lima, de 96 anos de idade, que há mais de 50 é o regente de uma das bandas de música de Belo Jardim (Sociedade de Cultura Musical). Sua última composição antes de adoecer foi o dobrado “Governador Eduardo Campos”.

Troca – Em seu livro “10 anos de silêncio”, o ex-deputado Cleto Falcão (AL) conta como Collor, diversas vezes, perdeu a paciência com o seu vice, Itamar Franco, na campanha de 89, devido à sua instabilidade emocional, chegando ao ponto de consultar o TSE sobre se poderia substituí-lo no 2º turno.

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