
Por Elaine Ventura
Um projeto pioneiro vem modificando a relação entre policiais e a população pernambucana. O Polícia Amiga é um plano elaborado pela PMPE (Policia Militar de Pernambuco)que visa transformar integrantes da segurança pública estadual em agentes da comunidade, adotando uma postura mais proativa no combate à criminalidade. A relação mais amigável entre a polícia e a sociedade tem ocasionado uma redução considerável nos índices de violência onde o trabalho foi implantado.“O projeto foi inserido na comunidade do Bode, no bairro do pina – zona sul do Recife, em outubro de 2008. Em apenas dez meses os resultados começaram a aparecer. No ano mesmo ano em que o Polícia Amiga foi lançado foram registrados dezesseis homicídios, comparado com o mesmo período de 2009 o número caiu para três, ou seja, uma redução de aproximadamente 400%”, afirmou o ex - Comandante da Polícia Militar e atual Assessor Especial do Governo de Pernambuco, Coronel José Lopes.
De acordo com André Luis Farias (ALF), candidato a Deputado Estadual de Pernambuco, o Programa Polícia Amiga intensifica a relação entre a sociedade e os policiais, facilitando o convívio e estabelecendo uma relação de confiança mútua. “O Polícia Amiga trilha um ótimo caminho, pois a polícia não pode ser temida, ela tem que ser um fator de segurança. Essa relação amigável entre policiais e moradores tem sido percebida nas comunidades onde o programa foi instalado. Com o conceito de soldado cidadão, a sociedade civil passou a ser um agente que participa ativamente da discussão do processo desse programa”, constatou. Se eleito, ALF pretende investir em projetos voltados para a segurança pública, auxiliando e complementando as ações implantadas pelo Programa Pacto pela Vida.

Com esse novo modelo os policiais passam a ter contato direto com a comunidade, conhecendo não só a problemática no âmbito da segurança, mas também as dificuldades na infraestrutura local que podem resultar em insegurança. Para participar do projeto os policiais passam por cursos básicos de direitos humanos, conhecimento de relações interpessoais e mediação de conflitos, tornando-os profissionais diferentes, focados no bem estar social. As guarnições que atuam nessas áreas são conscientizadas a desempenhar uma conduta mais amena nas abordagens, com metas previamente estipuladas. “Fazemos um trabalho comparativo, relacionamos a comunidade como cliente e ao mesmo tempo patrão dos policiais. Assim é possível mostrar que a população tem um papel de extrema importância no desenvolvimento do nosso trabalho”, informou Cel. José Lopes.
Visando estimular o trabalho desses profissionais a PM realiza uma votação para eleger aqueles que mais se destacaram a serviço da comunidade. A eleição ocorre a cada seis meses nos bairros, onde os moradores elegem policiais amigos do povo. Como reconhecimento os dois mais votados ganham oito dias de dispensa e um fim de semana completo no Hotel de Trânsito da Polícia, com direito a carro locado e motorista para deslocamento a qualquer praia e um elogio na ficha individual no Batalhão. “Essa votação mostra que estamos fazendo a coisa certa. Além de motivar os policiais, conseguimos um retorno positivo da população. Para se ter uma ideia da grandiosidade do projeto, no Bode 1718 pessoas foram as ruas para escolher aqueles que tiveram atuação mais presente no bairro. Esse número é muito maior do que foi alcançado na escolha do novo conselheiro tutelar da comunidade, onde houve a participação de aproximadamente 700 pessoas”, concluiu o coronel.
O Polícia Amiga desperta a sensação de segurança nos moradores. A ativa participação e interação entre policiais e comunidade, fruto do programa Pacto pela Vida, traz uma nova fase para Pernambuco, é o momento de servir e elogiar, cada um dentro da sua política. “Antes do Policia Amiga atuar na minha comunidade a gente tinha medo de sair de casa, corria risco de levar uma bala perdida. Hoje não preciso ter medo da violência, pois sei que estamos bem guardados”, disse a moradora do Bode, Irani Silveira.
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