Para efeito de comparação, as duas principais convenções realizadas ontem anteciparam um pouco do clima que deve permear a disputa pelo governo do Estado. No Parque Amorim, a força do rolo compressor governista – tripulado por 17 partidos – arrastou milhares de pessoas para o Clube Português, onde foi homologada a candidatura de Eduardo Campos (PSB) à reeleição. No bairro de Afogados, no Clube Atlético de Amadores, uma festa mais modesta – capitaneada por cinco legendas – retratou bem o tamanho da oposição, que oficializou a quarta investida de Jarbas Vasconcelos (PMDB) rumo ao Palácio do Campo das Princesas.
Pessoas de ambos os palanques reconhecem que além de um embate histórico, a eleição deste ano terá um caráter bastante plebiscitário. Adversários ferrenhos, tanto Eduardo como Jarbas submeterão suas administrações ao julgamento do eleitor. O curioso é que os dois lados são ramificações de uma mesma linha, que até 1990 – antes da ruptura entre Jarbas e o ex-governador Miguel Arraes – costumava transformar as convenções partidárias em festas antológicas. Duas décadas depois, os agora ex-aliados tentavam, ontem, demonstrar tranquilidade. Mas não conseguiam tirar o rival da cabeça. Nem do discurso.
“Nossa convenção não pode ser comparada com a do outro lado, porque lá é chapa branca e aqui é a oposição”, bradou Jarbas. Numa crítica direta ao governador, o peemedebista garantiu que na sua festa não havia militância remunerada, “nem gente atraída por cargos ou dinheiro”. Apenas pessoas que foram por vontade própria, mesmo cientes do cenário adverso que a oposição vai enfrentar na campanha.
Quase na mesma hora, Eduardo Campos afirmava que espera calúnia, difamação e baixaria por parte dos adversários, “como fizeram com Miguel Arraes, Lula e Humberto Costa”. No entanto, ao assegurar ter promovido a “paz política” no Estado, sinalizou que, se depender dele, os ataques devem cair no vazio. “Daqui será sempre para melhor”, resumiu.
Fonte: Blog do Jamildo
quinta-feira, 1 de julho de 2010
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