Humberto e João Paulo devem iniciar análise minuciosa dos benefícios de cada um concorrer ao Senado
Fonte: Pernambuco.com
O ex-secretário das Cidades Humberto Costa e o ex-prefeito do Recife João Paulo devem se reunir nesta semana para tratar sobre a sucessão estadual. Será uma conversa inicial, uma espécie de avaliação da disposição de ambos em chegar a um entendimento para a definição do nome do PT que disputará o Senado. Não se espera uma conclusão, mas o pontapé inicial de uma análise minuciosa dos prós e contras do nome de cada um para se lançar na candidatura majoritária.
"Vamos ver qual a possibilidade de negociar um entendimento e as bases para uma negociação", afirmou Humberto. João Paulo disse que seria uma conversa introdutória, apesar de uma primeira já ter sido realizada antes da desincompatibilização do ex-secretário. "Vou colocar que o mais importante é garantir a eleição de Dilma Rousseff à presidência do país e a reeleição do governador Eduardo Campos (PSB) em Pernambuco, além da manutenção das relações pessoais e políticas", frisou.
Na mesa de negociação, em favor de Humberto, estarão o fato de comandar a maioria do partido, a boa relação com os partidos aliados, a confiança em Eduardo Campos, a simpatia dos deputados da base governista, a absolvição de envolvimento na "máfia dos vampiros". Contra, existem as derrotas em eleições, a menor popularidade em relação ao correligionário, a falta de visibilidade a projetos importantes comandados por ele, como o Samu e as Farmácias Populares.
A lista pró João Paulo é composta pelo carisma, pela popularidade, pela densidade eleitoral, pelas vitórias eleitorais, pelas duas gestões bem-sucedidas à frente da Prefeitura do Recife. Contra existem o desgaste sofrido desde 2009 (a divulgação de que assumiria cargos nacionais e não assumiu, a maneira como entregou a secretaria estadual de Articulação Regional, o rompimento com o atual prefeito do Recife, João da Costa), a desconfiança de parte dos aliados pela proximidade administrativa que manteve com o ex-governador e atual senador Jarbas Vasconcelos (PMDB).
O encontro entre Humberto e João Paulo ainda não tem data marcada. João Paulo tentou falar com Humberto, mas ele estava viajando (passou uma semana em Buenos Aires, na Argentina, para descansar) e o contato não foi feito. Humberto voltou no domingo e, no dia seguinte, tentou falar com João Paulo. O ex-prefeito, no entanto, estava em um compromisso e não pode atendê-lo. Já o ex-secretário disse que tentaria falar com o correligionário mais uma vez hoje.
João Paulo convocou a intermediação do presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, para agendar o encontro. Agora, espera um retorno de Dutra. Questionado se a participação do presidente petista seria por falta de interlocução com Humberto, o ex-prefeito explicou que não estava conseguindo manter contato com o correligionário e, por isso, pediu ajuda.
Independentemente da data, o encontro deverá acontecer com uma mudança no discurso do grupo petista ligado ao ex-prefeito. O presidente do PT no Recife, Oscar Barreto, declarou que "é hora de baixar as armas".
"Qualquer que seja o resultado, não podemos estar divididos. Temosque construir o ambiente maduro", argumentou. Oscar acrescentou que convidará os dois para a reunião do diretório municipal na próxima quinta-feira. "Será uma reunião equilibrada e franca, com cada um defendendo a sua tese, mas sem agressões. Temos que estar juntos para enfrentar as próximas eleições", comentou.
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